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01 - INTRODUÇÃO
Iniciaremos com algumas considerações
de caráter geral, que permitirão o entendimento
do movimento musical do interior, como um todo.
O movimento rural é uma forma de manifestação
cultural baseada em usos e costumes populares e regionais, retratando
a vida e o pensamento da população do campo e/ou
do interior do país. Tal manifestação cultural
não sofreu, em suas bases, influências outras que
não a dos habitantes da terra descoberta e de seu colonizador/povoador.
Assim, a música da terra, como toda manifestação
artística, surgiu de uma necessidade da sociedade rural
de expressar através de canções, suas venturas
e desventuras, alegrias e tristezas, prazeres e dores. Lógico
que os temas estão vinculados à sua realidade
de vida, seus modos e costumes, bem como a seus princípios
éticos, religiosos e morais. Dentro desta ótica,
podemos afirmar que suas raízes são genuinamente
nacionais e sua proximidade ao country americano se dá,
exatamente, por estas razões, pois lá como aqui,
o movimento está intimamente ligado a terra e a regionalismos,
resultantes da caminhada em direção ao interior,
em busca de melhores condições de vida, e porque
não dizer, de riqueza. De qualquer forma, quem se aventurou,
em passado longínquo, pelas terras virgens do Brasil
e por aqui se estabeleceu, acabou sendo responsável pela
formação de uma cultura própria, típica
e regional.
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02 - AS ORIGENS DA MÚSICA
Voltando no tempo, podemos deduzir, pelas informações
históricas registradas, que a música tenha surgido
no meio rural, provavelmente em época próxima
ao ano 2000 AC, entre os chineses ou os hindus. Independentemente
disto, tudo indica que foram os egípcios que elevaram
a música ao status de "popular", difundindo-a
entre o meio rural, a partir de dedicações a deidades
vinculadas às boas safras agrícolas. Desta forma,
a arte musical egípcia influenciou outras culturas, responsáveis
pelo processo de civilização mundial e, como o
campo veio antes da cidade, esta era uma música rural.
Coube aos gregos desenvolver o movimento de
racionalização da arte musical, criando, inclusive
o termo mousike (de Musas, as 9 filhas de Zeus, responsáveis
pelas artes). Anteriormente, ao que parece e se tem notícia,
a música era transmitida de forma direta, sem registro
específico. Foi a partir da Grécia que se pôde
construir a história da cultura contemporânea.
Através dos poetas ("aquele que faz"), que
punham a música a serviço das palavras, pode-se
depreender que sua divulgação tenha ganhado notoriedade
pública. Da mesma forma, a conjugação da
música, poesia e dança tinham em comum um ponto:
o ritmo (rhytmós - movimento regrado e medido).
E assim foi-se passando a história,
até que, às vésperas dos grandes descobrimentos,
a música já era uma manifestação
cultural urbana, posto que ao camponês (a quem cabia servir
ao senhor, principalmente em épocas de guerras), não
era dado o conhecimento da existência de uma harmonia
musical acadêmica e de instrumentos musicais, poesia e
danças criadas entre as paredes dos palácios.
Porém, no campo, as danças típicas, a poesia,
o teatro e a música (com sua forma exclusiva), eram valores
culturais difundidos, com utilização de instrumentos,
peculiaridades e escala próprias.
Como, a essa altura, já entramos no
período histórico dos grandes descobrimentos,
podemos falar do desenvolvimento da música rural brasileira.
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03 - AS ORIGENS DA MÚSICA RURAL BRASILEIRA
O Brasil do descobrimento tinha, ao que se supunha, uma população
indígena de cerca de dois milhões de habitantes,
com os quais teriam os descobridores de se defrontar, no processo
de povoação ou colonização (discussão
infindável). O certo é que, de uma ou de outra
forma, a exploração das riquezas da terra estava
na mente dos descobridores, visto que sua civilização
vivia do comércio e, para tanto, a convivência
com os silvícolas se impunha. Até mesmo porque,
para o estabelecimento de uma economia de subsistência
era necessário envolvê-los e aos seus relativos
conhecimentos de plantio. Assim, deste relacionamento, surgiram
técnicas comuns de formação de lavoura,
desenvolvimento de engenhos e fazendas, voltadas, além
da subsistência, para a exportação.
Na manifestação musical, apesar
da influência do colonizador, marcou presença a
cultura indígena, através dos urucapés,
guaús, parinaterans e tocandiras, de origem guaicuru,
xavante, guarani ou bororo. Segundo a história, Anchieta,
o Apóstolo do Brasil, teria se valido de uma dança
religiosa indígena, o caateretê, para tentar convertê-los
ao cristianismo. Teria, ainda, introduzido esta dança
nas festas de Santa Cruz, Espírito Santo, Conceição
e Gonçalo, num hábito que até hoje persiste
nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais,
Goiás, Mato Grosso, Pará e Amazonas, sob a nomenclatura
de catira, cujos elementos rítmicos da viola, do sapateado
e do palmeado, lhe foram indexados ao longo dos anos. Sendo
cantado em versos, o caateretê propiciava o surgimento
de cantores e trovadores populares.
Quando os portugueses e negros proporcionaram
o surgimento de outras manifestações musicais
oriundas de suas próprias culturas, já existiam
por aqui gêneros resultantes do cruzamento cultural português-índio.
Os primeiros índios, com os quais os portugueses travaram
conhecimento foram os tupis, que se espalhavam, com suas oito
famílias e dezenas de línguas e dialetos, do Rio
Grande do Sul ao seu homônimo do Norte. Assim, desde o
século XVI, os herdeiros deste tipo de cruzamento étnico,
mestiço de brancos e índias, apesar das controvérsias,
pode ser definido como caboclo (ou cabocolo, como se dizia na
época). E esta controvertida figura, descrita como indolente
e pouco relacionado com os colonos, ganhou esta pejorativa conceituação,
que não condiz com a realidade.
Já na segunda metade do século
XIX, calcula-se que existissem no Brasil menos de 150.000 índios
puros, deduzindo-se que o restante, ou foi exterminado pelo
colonizador/povoador ou se hajam misturado ao branco e ao negro,
ensejando uma nova espécie humana culturalmente distinta.
Desta miscigenação surgiram grupos distintos,
sendo que entre os caboclos concentrados nas regiões
Centro-Oeste, Sudeste e Sul, inúmeros traços de
semelhança física e cultural são notáveis,
generalizando o que se convencionou chamar de caipira, uma denominação
tipicamente paulista. Para muitos filólogos, caipira
é expressão de etimologia desconhecida, porém,
segundo Silveira Bueno, o vocábulo é resultado
da contração das palavras tupis caa (mato) e pir
(que corta), resultando em "cortador de mato". Para
Câmara Cascudo, caipira é o "homem ou mulher
que não mora na povoação, que não
tem instrução ou trato social, que não
sabe vestir-se ou apresentar-se em público". Inquestionavelmente,
este é um tipo rural, caboclo, mas no sentido pejorativo,
depreciativo. Assim também se posicionou Monteiro Lobato
ao criar seu personagem Jeca Tatu. Como o que nos interessa
não são os estereótipos e sim a origem
da música rural, achamos que basta o que já foi
dito, para situar o ilustre visitante deste site no ambiente
rural, fonte de nossa música de raiz.
Em muitas citações do século
passado, sobre o interior do Brasil, comentava-se sobre diversos
tipos de festas musicais típicas, bem como sobre manifestações
musicais associadas aos condutores de boiadas ou tropeiros.
Essas cantigas e desafios, sempre em tom de alegria, consistiam
em interpelações de um boiadeiro para outro e
eram uma derivação de dois gêneros tipicamente
portugueses. A cantiga (do latim canticula – cançãozinha),
remonta ao século XIII, com acompanhamento de instrumento
de cordas, chamado no século XVIII de "poesia cantada",
formada de redondilhas ou de versos menores que estas, dividida
em estrofes iguais, com andamento melancólico e concentrado.
O desafio, sempre representou em Portugal, um gênero musical
baseado no canto de improviso e alternativo, com outras pessoas
provocando o desafiante, até que se proclamasse o vencedor.
Este tipo de arte, muito divulgado entre nós, caindo
no agrado popular, acabou se alastrando pelo país, de
norte a sul.
Já no século passado, muitos
narradores testemunharam várias formas de gêneros
musicas oriundos do campo. Assim são as descrições
sobre as "vésperas de São Pedro", quando
todos que possuíam um Pedro na família se sentiam
na obrigação de acender uma fogueira diante da
porta e soltar rojões, disparar pistolas, morteiros ou
mosquetes. Tratava-se, também, de uma manifestação
adaptada da tradição portuguesa, acompanhada de
acordeona (harmônica – sanfona), viola (caipira,
com certeza) e machete (antecessor de nosso cavaquinho). À
dança cantada dava-se o nome de cururu (ou caruru), cujo
acompanhamento instrumental se fazia através de uma viola
e de um pandeiro basco. Esta manifestação ainda
existe em alguns locais no interior de Mato Grosso, Goiás
e São Paulo e é uma espécie de desafio,
com a diferença que o provocador fica de fora, instigando
os contendores ao litígio, até que saia um vencedor.
Vê-se, pois, que mesmo modificadas e adaptadas por vezes
às tradições indígenas ou caboclas,
a influência portuguesa era notável.
No início do século XX, a literatura
sobre o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país começa
a mencionar danças como o recortado (derivado do cateretê),
o fandango (de origem ibérica e com várias coreografias)
e a toada (forma livre de cantiga, ligada à pura forma
musical e não à disposição poética).
Era a força da música rural, criativa, evolutiva,
diversificada, contrapondo-se aos modismos musicais das capitais,
sempre importados do exterior, principalmente da Europa.
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04 - OS INSTRUMENTOS MUSICAIS
Foi de suma importância a participação de
instrumentos musicais portugueses na criação da
música rural brasileira, principalmente nas regiões
Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Destacamos aqui a CONCERTINA (espécie
de harmônica ou sanfona), a GUITARRA e a VIOLA. Os índios,
pelo que se tem notícia, sempre deram preferência
a instrumentos de sopro para musicar seus ritmos. Porém,
maravilharam-se com o som da viola portuguesa, fazendo dela
surgir o que mais tarde se conheceu como viola caipira.
A sanfona, como curiosidade, teve maior influência
e participação na música sertaneja nordestina
e a viola na música caipira do Centro-Oeste, Sudeste
e Sul do país, onde a moda de viola, oriunda das modas
portuguesas da segunda metade do século XVIII, tinha
como característica principal o canto a duas vozes, tão
marcante hoje na música rural brasileira.
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05 - O INÍCIO DA DIVULGAÇÃO
Cidade e campo: duas economias diversas e interdependentes.
Nem o homem do campo pode prescindir das modernidades industriais,
nem o homem da cidade pode prescindir da lavoura e criação.
Se existem motivos para considerar entristecedora a situação
das populações urbanas (saneamento deficiente,
habitações insuficientes e de qualidade inferior,
dificuldade de empregos, violência, drogas, etc.), também
no campo, salvo exceções, os métodos ainda
são primitivos. Porém, o homem do campo na Brasil
soube sobreviver às custas de sua própria resistência
física, preso a um sentimento enraizado de amor à
terra, sem nunca ter renunciado às suas tradições.
E são essas tradições, como a linguagem
própria, o vestuário típico e as tendências
culturais, que contribuem decisivamente para a criação
de uma espécie de música inconfundível.
E é desse tipo de música que estamos falando.
Não devemos confundir música rural com música
- digamos assim -"brega". Esta última é
o resultado do aproveitamento de dois filões (sem que
haja obrigatoriedade de misturá-los) de manifestação
musical tradicional (a música rural e a música
internacional, entendida em toda a sua extensa variedade) e
se destina, primordialmente, a satisfazer às exigências,
gostos, anseios (ou o nome que se queira dar) das populações
carentes, que habitam a periferia das cidades. E poder-se-ia
travar um embate filosófico interminável sobre
a questão. Não é este nosso intuito. Queremos
falar daquele outro tipo de música, que guarda profunda
relação com a tradição que a gerou:
a música rural, ou música caipira. E passaremos
a tratar do assunto, com o foco no século XX.
Já deixamos claro, anteriormente, que
a música rural abrange vasta extensão territorial,
pois assim é o Brasil, e que ela pode ser entendida delimitando-se
sua área de ocupação. Desta forma, vamos
limitar este resumo à música rural que envolve,
principalmente, os estados das regiões Centro-Oeste,
Sudeste e Sul. E, mais ainda, centraremos nosso foco no estado
de São Paulo.
A partir de São Paulo e seu interior,
em especial, definiu-se o tipo característico denominado
"caipira", espécie de caboclo diferente dos
oriundos das regiões norte e nordeste. Na própria
capital, no início deste século, pouco se sabia
sobre este personagem interiorano, além de algumas facetas
mais características, desconhecendo-se suas danças,
músicas e poesias típicas.
Foi Cornélio Pires (1884 - 1958), natural
de Tietê, o primeiro a mostrar interesse em divulgar o
caipira e sua criatividade autêntica, na capital. Em 1910,
encenou na Universidade Mackenzie um velório típico
do interior paulista. A encenação incluía
interpretes autênticos de cururu e cateretê, além
de cantadores e dançadores. A apresentação
foi um sucesso e abriu espaço para outras, que se seguiram,
graças a obstinação de Cornélio.
E assim, quatro anos mais tarde, proferiu diversas palestras
na capital, sobre a matéria, acompanhado de exemplos
vivos desta arte desconhecida, mostrando o que já se
espalhava por outras regiões além das fronteiras
do estado, caracterizando, enfim, uma música e uma poesia
paulistas, diferente de tudo o que se criava na capital, que,
na verdade, nada mais fazia do que absorver o que vinha do Rio
de Janeiro e, em última instância, da Europa, passando
por aquele importante centro cultural.
Em 1922, realizaram-se no Rio de Janeiro as
festividades de comemoração do primeiro centenário
da Independência do Brasil e entre tantas atividades programadas,
Cornélio foi escalado para promover diversas manifestações
da cultura caipira, sendo-lhe reservado espaço seleto
para apresentação de suas palestras e exibições.
Foi, no mínimo, curioso que se lhe reservasse o auditório
da Associação Brasileira de Imprensa para tal,
demonstrando o interesse que seu conhecimento sobre este tipo
de cultura tinha alcançado. E suas apresentações,
com muitas novidades e curiosas revelações, alcançaram
êxito surpreendente, neste ano em que se realizou a tão
lembrada Semana de Arte Moderna. Foi a oportunidade que o Rio
de Janeiro teve, de conhecer o que séculos de aculturação
índio-portuguesa produziram no interior de São
Paulo.
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06 - A MÚSICA E SEU REGISTRO EM DISCO
Até 1928, percebe-se a ausência, praticamente total
de música caipira nos catálogos das gravadoras.
Tudo fruto de uma intolerância urbana, existente nas grandes
capitais, em relação à música caipira.
Por esse motivo, somente em 1937, o clássico do século
da música rural, Tristezas do Jeca, foi gravado por Paraguassu,
com o selo Columbia (Continental, a partir de 1947), mesmo tendo
sido composta por Angelino de Oliveira, em 1925. Existiam, à
época, tres gravadoras no Brasil: Odeon, Victor e Columbia
(esta em São Paulo).
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07 - O RÁDIO NA DIVULGAÇÃO DA
MÚSICA RURAL
Em 1924, de acordo com alguns depoimentos, surge em São
Paulo a SQ-B1, Rádio Cruzeiro do Sul. Pouco depois desaparece
para ressurgir em 1927, com novo prefixo: SQ-BA. Novo fracasso.
Somente em 1929, através do grupo Byington (leia-se:
Columbia), sob direção de Wallace Downey, a Cruzeiro
do Sul se firma, alicerçada em esquema inédito
até então: o patrocínio da Atlantic Motor
Oil, que custeou as curtas demonstrações do período
de experiência da emissora. Assim, após breve período
de testes, ainda no primeiro semestre de 1929, a Cruzeiro do
Sul, agora PR-AO (e pouco depois PR-B6), vai ao ar com sua programação
definitiva. E assim, com sua homônima do Rio de Janeiro,
é criada a primeira rede radiofônica do Brasil:
a rede Verde-Amarela.
No dia de sua inauguração, além
de diversos espetáculos, entre eles apresentações
humorísticas com personagens caipiras, foi interpretada
a música "Coração", de Marcelo
Tupinambá com letra de Ariovaldo Pires.
Nesta época, São Paulo contava,
então, com três emissoras de rádio: a Cruzeiro
do Sul, a Record e a Educadora (mais tarde, Gazeta). Elas, juntamente
com os teatros e circos, transformariam centenas de intérpretes
musicais, que se apresentavam em bares, os chamados "cafés-chantants",
em artistas do microfone; mudança que se perpetuou e
evoluiu até os nossos dias. Assim, na esteira dessa tendência,
seguiram os compositores, músicos e instrumentistas,
que através deste tipo de divulgação, associado
à evolução das gravações
em disco, se tornariam populares: nasciam os ídolos!
Contudo, na florescente capital de São
Paulo, a arte popular caipira se mantinha encoberta pelo manto
"sertanejo" ou "regional". E esta estilizada
forma de apresentar a música rural, por vezes atribuía
ao interprete o direito da composição, tomando
o lugar do verdadeiro autor. Afinal, a imagem divulgada do caipira
era de um ser indolente, ignorante, especialista em fazer os
outros rirem, jamais capaz de elaborar peças musicais
esmeradas. Contra esta imagem pejorativa, vários cidadãos
se insurgiram, abrindo espaço nas gravadoras e nas rádios
para intérpretes de música caipira. Assim, emergiram
Zico Dias e Ferrinho, Lourenço e Olegário, Lázaro
e Machado, Plínio Ferraz e João Michalany, Arlindo
Santana e Joaquim, além dos indefectíveis imitadores
urbanos do "regionalismo". Foi nessa época
que surgiram, também, os primeiros programas humorísticos
repletos de quadros típicos, como "Cascatinha do
Genaro", na rádio Cruzeiro do Sul e mais tarde transferido
para a Rádio São Paulo (1935), uma espécie
precursora do "Balança Mas Não Cai".
Esses programas, repletos de caricaturas e modismos, eram um
verdadeiro redemoinho de estilos e tendências.
Desde então, surgiram diversos intérpretes,
todos incumbidos de consagrar este estilo de música que,
como já dissemos, teve sua origem em séculos de
evolução cultural havida no campo, no meio rural
e que, por força da tecnologia existente nos grandes
centros urbanos, pôde ter expandido seus limites. Assim,
abria-se oportunidade para muitos artistas e, também,
para muitos aproveitadores (mas isto é um outro assunto).
O importante é que com o disco e o rádio, descortinou-se
um infinito leque de oportunidades para a divulgação
da música rural que, graças à perseverança
de alguns "heróis", pôde ganhar espaço
dentro das várias manifestações culturais
que compõem a multivariedade cultural brasileira.
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08 - ALGUNS DOS VERDADEIROS DESBRAVADORES
Achamos que é chegado o momento de "dar
- mais - nome aos bois", por isso, aqui citaremos aqueles
que, a nosso ver, representaram com lealdade o estilo, a cultura
e a musicalidade do interior. Porém, para evitar que
este resumo, já por demais extenso, se torne infindável,
relacionaremos apenas seus nomes, omitindo suas obras (que pode
ser assunto para outro trabalho), bem como, antecipadamente,
pedimos desculpas pelos possíveis esquecimentos:
| Alvarenga
e Ranchinho |
Raul
Torres
|
Antenógenes
Silva |
| Zico
Dias e Ferrinho |
Lourenço
e Olegário
|
Mandy
e Sorocabinha |
| Mariano
e Caçula |
Laureano
e Soares
|
Palmeira
e Piraci |
| Tonico
e Tinoco |
Orlando
Silveira (acordeonista)
|
Mario
Zan (acordeonista) |
| Nenete
e Dorinho |
Irmãs
Galvão
|
Moreno
e Moreninho |
| Inhana
e Cascatinha |
Inezita
Barroso
|
Paraguassu |
| Laureano
e Mariano |
Mariano
e Cobrinha
|
Lourenço
e Lourival |
| Duo
Glacial |
Tião
Carreiro e Pardinho
|
Duo
Ciriema |
| Irmãs
Castro |
Xerém
e Tapuia
|
Xerém
e Bentinho |
| Ramoncito
Gomes |
Belmonte
e Amaraí
|
Tibagi
e Amaraí |
| Tibagi
e Miltinho |
Abel
e Caim
|
Os
Três Xirus |
| Cerejinha |
Norinho
e Ediles Nunes
|
Os
Maragatos |
| Os
Araganos |
Conjunto
Farroupilha
|
Craveiro
e Cravinho |
| Cambuci
e Cambuizinho |
Biá
e Dino Franco |
Nhô
Nardo e Cunha Jr. |
| Borges
e Borginho |
Trio
Norte-a-Sul
|
Dairé
e Coleirinha |
| Lázaro
e Machado |
Plínio
Ferraz e João Michalany
|
Arlindo
Santana e Joaquim |
| Trio
Ortega |
Milionário
e Zé Rico
|
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Destaque, também, para o surgimento de uma dupla, que
estreou no "Arraial da Curva Torta" (Rádio
Difusora de São Paulo - PRF-3 - 1939, programa dirigido
por Ariovaldo Pires), substituindo Xandica e Xandoca (que saíram
abruptamente do programa), com nome artístico de Rosalinda
e Florisbela, que nada mais nada menos eram que Hebe Camargo
e sua irmã Estela.
Curiosidades:
Adoniram Barbosa era viciado em ganhar prêmios
no programa de calouros da Rádio Cruzeiro do Sul.
O cantor Blecaute foi revelação
do programa "Arraial da Curva Torta" (e seu apelido
deveu-se ao humor privilegiado de Ariovaldo Pires e ao fato
de à época estar-se desenrolando a II Guerra Mundial,
provocando muitas interrupções de energia nas
cidades, deixando tudo às escuras).
Ariovaldo Pires lançou, na segunda metade
dos anos 50, uma dupla de origem japonesa e que fez muito sucesso
com a música "Saudades do Japão", de
Horoshi, com letra sua. Eram os "Irmãos Kurimori".
Fonte: Universo Country
Telefones para contato
JOÃO CARLOS - (35) 3722-4587 / 9118-3124
MAURÍCIO - (35) 3715-2875 / 9961-2875
ADRIANA - (35) 9131 0968
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