01 - TESTEMUNHO DE UM CAIPIRA
Maurício / João Carlos
Já tirei o pó da estrada da licença de
chegar
Vou batendo na viola, mas não vim só pra cantar
Vim trazer uma mensagem seu coração alegrar
Sou brasileiro violeiro e cantador
Trago sempre no meu peito uma história de amor
Sou do roçado no arado me criei
Também vivo a poesia para ela me entreguei
Trabalho a terra pro meu gasto e meu sustento
Não moro em um palácio, mas não durmo no
relento
A minha casa está aberta pode entrar
A minha simplicidade é o que tenho pra ofertar
A palavra que me inspira vem do Deus autor da vida
Ele exalta os humildes dá conforto luz comida
Ele quer levar seu povo para a terra prometida
Eu não sou santo sou chamado de caipira
Mas o modo como vivo muita gente admira
Minha família ainda se junta pra rezar
Acredito que Jesus está presente no meu lar
Esse meu canto não é uma alienação
Fala de justiça sonhos fala de libertação
Prego a verdade que nasceu com a missão
Ensinar comunidade a partilha e o perdão
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02 - A VIOLA E O CANTADOR
Valdemar Reis / Maurício
Aprendi tocar viola foi assim por brincadeira
Como o nordestino aprende o manejo da peixeira
No berço em que fui ninado na infância sorrateira
Tinha o açoite pausado da família violeira
Um guiso já descascado de cascavel matadeira
Trago no bojo guardado da viola fandangueira
Nas planícies e montanhas da linda terra mineira
Eu diviso o céu nublado quando toco pras estrelas
Eu adoro meu lugar meus riachos e ribanceiras
A casa ao pé da serra acolhe a família inteira
À noite e seu negro manto e o barulho da goteira
Me faz cantar no meu canto sempre pra cá da porteira
Já despachei a saudade de uma morena trigueira
Um amor iniciado e terminado por besteira
Vi um curió cantando na copa de uma espinheira
Lembrei dos beijos trocados eu e ela na esteira
Da estrada dos meus amores eu já baixei a poeira
Sepultei sonhos dourados no tronco de uma aroeira
Versos viola e poesia me acompanham a vida inteira
O presente e o passado é o meu marco de fronteira
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03 - SOMOS UNS CAIPIRA BÃO
Mauricio Felipe
Vamos entrando meu povão vamos sentar
Muito bão ocêis ter vindo senta e vamos prosiá
Toma cuidado Mariazinha senta aí não
Eu soquei amendoim e ta sujo o pilão
Soquei ,soquei fui socando, fui socando
E colocando na peneira fui banando e fui soprando
Pus na panela e fui mexendo de verdade
Saiu um pé de moleque de primeira qualidade
Êh lá em casa êh trem bão nóis
não pula sem bacheiro
Nóis somo uns caipira bão êh mundão
sem porteira
Quem não dá valor à vida Vive a vida de
bobeira
Cêis trouxe o queijo e os tacho tão fervendo
Nóis já têm três mãos de milho
e os ralo tão cumeno
E todo mundo ta cantando animado
Preguiça passou de lado neste nosso mutirão
E as cumade vão ralando, vão ralando
Os milho que nóis plantamo e cuidamo com carinho
E noite afora vai ficar quente o bailão
Depois de comer pamonha e encher o barrigão
O sanfoneiro escora a sanfona na pança
Foram dormir as crianças poeira vai levantar
E a moçada logo vai se ajuntando
Os pares vão se formando já é hora de ralar
E o sanfoneiro vai tocando ,vai ralando
Puxa o fole e toma um gole para o peito esquentar
E nós dançando vamos gastando o sapato
Alegria é um fato até o dia clarear
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04 - VIVO POR TI
Marquinhos Rossi / Maurício Felipe
Revendo a vida curando as feridas resolvi voltar
Minha caboclinha razão do meu canto
Insisto em ti amar
Vendo o sol poente lembro os lábios quentes
Eu não te esqueci
Coração reclama e acende a chama
Que queima por ti
Eu vivi sozinho amor te persigo
E não tenho paz
Este sentimento me levou a vida
Não encontro mais
Pra que ter o sonho a ser perder no tempo
Se não penso em mim
Coração reclama e alimenta a chama
Que queima por ti
Vivendo a vida curando as feridas
Vim te procurar
Cabocla querida razão dos meus sonhos
Eu vim pra ficar
Volto ao paraíso do teu aconchego
Já estou aqui
Coração inflama já não mais reclama
Eu vivo por ti
Coração reclama e acende a chama
Que queima por ti
Coração reclama e alimenta a chama
Que queima por ti
Coração inflama já não mais reclama
Eu vivo por ti
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05 - POEIRAS DA CAMINHADA
Jota Moraes
Boiadeiro bom carreiro
Que vive lá no sertão
Gosta do seu boi de carro
Como se fosse um irmão
Não há dinheiro que pague
Um boi da sua invernada
Ele vive satisfeito
Batendo sempre no peito
Poeiras da caminhada
Poeiras da caminhada
Boiadeiro bom carreiro
Quer ouvir sempre a cantar
Seu carro sem candeeiro
Quando sai pra trabalhar
Ele luta o dia inteiro
Cumprindo sua jornada
Ele vive satisfeito
Levando sempre no peito
Poeiras da caminhada
Poeiras da caminhada
Boiadeiro bom carreiro
Põe o carro pra rodar
Gritando com os bois de guia
E o ferrão a balançar
Seu carro de perobeira
Vai cantando pela estrada
Ele vai no cabeçalho
Batendo de galho em galho
Poeiras da caminhada
Poeiras da caminhada
Boiadeiro bom carreiro
Que toca os bois pela estrada
De tarde já bem cansado
A tarefa terminada
Dobrando a vara no ombro
Retorna à sua morada
Ele volta satisfeito
Trazendo sempre no peito
Poeiras da caminhada
Poeiras da caminhada
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06 - GARANHÃO DO BAILE
Maurício Felipe / João Carlos
Eu fui num baile na fazenda Lambari
E tinha tanta menina por ali
Que eu confesso fiquei enfeitiçado
Bailão tava animado e eu ali permaneci
E de repente encontrei Mariazinha
Logo pensei ela ainda vai ser minha
Mas só que eu estava com Manoela
E foi por causa dela que eu perdi a Chiquinha
Lá pelas tantas vi que a rapaziada
Estavam pensando esse Cowboy não ta com nada
Me distraí juntaram na minha goela
Eu saí pela janela deste bailão animado
Só uma coisa eu tenho para contar
Neste bailão eu nunca mais vou entrar
Não tem problema arrumei a solução
Eu chamo as menininhas para fora do salão
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07 - CAPELINHA
Marly / Martimiano
Rezando pra Nossa Senhora aqui na capelinha
Vim pedir pra minha santa virgem me ajudar
A terra que plantei é seca o gado magro agora
Vai morre de fome to aqui sem jeito
Vim pedir pra Santa me ajudar
Chorando minha gente agora não canta modinha
Nem dança nem faz serenata à luz do luar
A natureza que é vida, mas também destrói
Chove e vem a seca como isso dói
Morre toda a vida aqui do meu sertão
Sei que a felicidade é sempre passageira
Que a natureza ensina a gente a viver
Um dia o homem ri da sorte e canta a beleza
No outro esse mesmo homem chora seu sofrer
A mesma flor que nasce e cresce
Perfuma a nossa solidão
Murchas folhas caem sem vida
Salpicando o chão
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08 - VIOLEIRO NA VIOLA
João Carlos Ponci
O bom mesmo na viola é repicar bem as cordas
Vai tocando na turina e as outras que estão nas bordas
Mão direita no repique e a esquerda sempre no pique
Violeiro de competência põe a viola na cadência
Tem que ter experiência ai ai
Violeiro na viola é uma grande emoção
Quando entra num catira levanta a poeira do chão
Faz o auditório dançar batendo os pés e
as mãos
Põe o povo na cadência violeiro bota tenência
Tem que ter muita ardência ai ai
Ponteando o pagode violeiro não faz sessão
Trabalhando nos ponteios e fazendo as posição
No repique da viola e também no seu ponteado
Violeiro trabalha as cordas com os dedo equilibrado
Deixa a moleza de lado ai ai
Carreano moda de viola violeiro mostra talento
Chacoalhando bem as cordas com os dedos bem atento
No batido da viola ele vai tocando as prima
Bambeando a turina violeiro escorrega as mãos
Pra trovejar os bordão ai ai
Violeiro na viola também faz o valseado
Rasqueado e querumana não podem ficar de lado
Prá cantar modão caipira cururu é que é
o bão
Primeira e segunda voz até parece trovão
Quando sai de um peito são ai ai
Viola e violão formam um casal perfeito
Para separar os dois já vi não tem mesmo jeito
Juntando dois cantador pra exercer a função
Um ponteia outro acompanha na toada de uma canção
Com sanfona e percussão ai ai
Violeiro na viola todas as moda ele floreia
Quando põe a mão no pinho troveja e relampeia
Toada, moda campeira, recortado e cateretê
Rasta-pé e canção rancheira violeiro na
viola
Mundo veio sem porteira ai ai
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09 - LÁGRIMAS
Clóvis / Maurício Felipe
Lágrimas que rolam
Nos confins do meu país
Do menino e do velho
Ao ver a mata tombada
O verde queimado
A fumaça se erguendo
Lágrimas molhem o chão
Abençoa a plantação
Deixa a minha gente viver
Deixa a minha gente viver
Lágrimas lançadas no tempo
Nas estradas do sertão
Ou engolidas no peito
Do lavrador do peão
O sonho secando
A esperança minguando
Lágrimas caíram no chão
O tempo mostrará não foi em vão
Irá brotar nesta terra
A força da união
A mão do criador
Abençoa são lágrimas de amor
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10 - FESTA DO CATIRA
Toni Gomide / Nelson Gomes
Nós estamos reunidos nesta bonita função
Vamos dançar o catira com toda satisfação
Os pares estão formados pra fazer o sapateado
Levantar poeira do chão
Os pares estão formados pra fazer o sapateado
Levantar poeira do chão
Nossa dança do catira por ter grande aceitação
Hoje em dia apresentamos também na televisão
Salve os nossos catireiros e o povo brasileiro
Da cidade e do sertão
Salve os nossos catireiros e o povo brasileiro
Da cidade e do sertão
Com a dança do catira já fizemos gravação
O folclore brasileiro tem a sua tradição
Nossas violas afinadas com as palmas repicadas
Faz dueto no salão
Nossas violas afinadas com as palmas repicadas
Faz dueto no salão
A todos que nos assistem vai a nossa saudação
Um abraço aos ouvintes e um aperto de mão
Nossa hora está chegada bate o pé rapaziada
Pra despedir da função
Nossa hora está chegada bate o pé rapaziada
Pra despedir da função
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11 - VEM AQUI ENTRAR NA MINHA
Maurício Felipe
Hoje eu vou fazer o chão balançar
Deixa a animação rolar
Eu quero ver esse barraco desabar
Com essa dança bem alegre
E gostosa vamos juntar cravo e rosa
E bater coxa sem parar
Nesse embalo a poeira vai levantar
Hoje o bicho vai pegar
E a mulherada botam pra arrebentar
E noite afora vai mexendo, requebrando
O bailão vai esquentando
E não tem hora pra acabar
Vem branquinha, vem neguinha
Vem aqui dançar comigo
Pois a noite é de alegria
Vem loirinha vem moreninha
Vem que eu já entrei na tua
Vem aqui entrar na minha
Olho pro lado e tem vassoura no salão
É uma grande agitação
Trocam-se os pares numa grande confusão
E os compadres e as comadres vão fervendo
A sanfona vai comendo
Como é quente esse bailão
Povo animado e doente de paixão
Nunca falta emoção
Pro brasileiro que vive no meu sertão
Se tem forró, xote, pagode e vanerão
Só tem gente animada
E eu sou dessa comissão
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12 - TERRA MINEIRA
Martimiano Valério Borges
Madrugada vai chegando
Acordando os caminhos
Enxugando os cafezais
Vem o sol devagarinho
Nas porteiras dos currais
Passo preto e canarinho
Lá em cima na montanha
Juriti já deu sinal
Cá em baixo no terreiro
Canta o galo no quintal
O dourado das espigas
Colorindo o milharal
Terra molhada terra vermelha
Terra do ouro terra mineira
Já nasceu um novo dia
Um cheirinho bem gostoso
Chaminé solta fumaça
A panela no fogão
Um torresmo bem tostado
Com arroz, feijão do bão
O sol anda lentamente
E com ele a boiada
Ruminando com seus passos
Horas lentas entoadas
Nas cantigas de um vaqueiro
Que acabou sua jornada
Surge a lua preguiçosa
Lá no céu quase sorrindo
Canta o coro das cascatas
Abrem asas passarinhos
Vão dançando em revoada
Desenhando os seus caminhos
Tem a curva de um rio
Que é porto de chegada
A espera de alguém
Que depois da caminhada
Quer voltar pras mesmas águas
Pra cantar as suas mágoas
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13 - VIOLEIRO
Zé Mulato
Viola pode chorar
Mas vê se seu som não muda
Vou agradecer a Deus
Preciso da sua ajuda ai, ai, ai
É pra mim um dom de Deus cantar moda de viola
Isso dinheiro não compra e nem se aprende na escola
Quem nasce pra ser violeiro é um privilegiado
No tapinha da parteira ele já grita entoado
E se a mãe assuntar na cantiga de ninar
Ela pode observar que ele chora duetado
Violeiro é escolhido muito antes de nascer
Ele vem com uma missão cantar é seu dever
Neste dom maravilhoso muito cedo ele descobre
Que alegrar seu semelhante é um sentimento nobre
Pode ver que um cantador quando canta por amor
Não faz distinção de cor nem de rico e
nem de pobre
Não devemos ter orgulho com que Deus nos deu de graça
Basta um pouco de egoísmo e o dom vira fumaça
Deus criou o ser humano com perfeita harmonia
Bão violeiro se conhece pela sua poesia
Tem que ter bons pensamentos pra expressar bons sentimentos
Um poeta de talento não escreve heresia
Bão violeiro sempre mostra o que ele tem na bagagem
Fica feliz quando o povo entende a sua mensagem
Mas nem todo ser humano tem perfeita consciência
Prá entender as sutilezas que vai na sua ciência
Mas a viola quando toca lindas emoções provoca
Pela parte que me toca eu agradeço a providência
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