no nosso site agora são: , do dia:

 

CD Cordas de Aço
Comprar este Album

Letras deste Álbum

01- A Semente
02- Cordas de Aço------BAIXAR MP3
03- Mundo Globalizado
04- Semente da Terra
05- O Estressado-------BAIXAR MP3
06- Paixão Nacional
07- Quintal
08- Desunião
09- Meu Ranchinho
10- O Poder da Mensagem
11- Golpe de Vista
12- Para Falar de Amor
13- Oração à Terra
14- Deixa Queimar
15- Carta para Deus
16- Pagode do Avesso
17- Estrada Velha
18- Pesada Cruz



01 - A SEMENTE

Pinho/João Carlos/Maurício Felipe


Nóis tamo chegando agora, a alegria é corrente
Nóis viemo lá de fora cantá pra toda essa gente
Nos lugar que a gente escora felicidade é crescente
E por Deus, Nossa Senhora nosso dom é consistente
Cantoria não tem hora saímos sempre na frente
Pra cantá e toca viola nóis dois já tirou patente


Somo assim meio caipira não importa o ambiente
Nóis comporta de acordo com o que vier pela frente
Nóis canta para o povão, deputado ou presidente
Caprichando no dueto agradando os exigentes
Num é pra fazer bravata isso vem naturalmente
Aonde nóis chega é batata o sucesso é evidente


Nóis não precisô de escola pra garra nesse batente
No batido da viola é aonde nóis chega rente
Não é para ser gabola ó Deus pai onipotente
Nóis vamo gastando a sola não precisa ser vidente
No batido desse ofício nóis já tamo consciente
É João Carlos e Maurício, vamos plantando a semente


Voltar ao topo


 

02 - CORDAS DE AÇO

Martimiano Valério Borges


O aço das cordas que vibram só fazem cantar
São sinos que tocam nas mãos de um violeiro a cantar
Os calos nos dedos são marcas de muitas canções
A voz chora dentro do peito e vem do coração


Viola canção, um ponteio
Lá nas madrugadas
Irmã das estrelas e longas jornadas
Acorda o caboclo e desperta o sertão
Viola seu som, o seu tom
Tem as cores do dia
Tem cheiro de festa de Reis, a folia
Teu corpo é mulher que eu seguro nas mãos


Se toca cantigas de amor se põe a sonhar
Se é a toada tristonha parece chorar
Mas é no catira que ela balança o chão
E quando está no pagode ela faz confusão


As cordas de aço são fios, são linhas brilhantes
Estradas em que o violeiro caminha errante
Viola canção, um ponteio, um verso no ar
Histórias em que o violeiro se põe a cantar

Voltar ao topo


03 - MUNDO GLOBALIZADO

Roberto Moreno / Nino D’Andrade


Nossos costumes hoje estão bem diferentes
Com o progresso nossa gente já mudou de posição
O modernismo que era coisa da cidade
Foi ganhando autoridade e chegou lá no sertão
Aonde eu moro está tão modificado
Todo o transporte de gado é feito de caminhão
O meu chapéu, meu berrante abandonado
Agora só é usado quando é festa de peão


Lá na lavoura o boi não puxa o arado
Com o tempo foi trocado por máquinas de tração
O meu fogão de lenha está apagado
Pra fazer pernil assado tem forno de precisão
Só a viola nunca muda, não tem jeito
Quando apertada no peito pertinho do coração
Mata a saudade do tempo que já se foi
Meu velho carro de boi é peça de exposição


Pegar na enxada a moçada não quer mais
Eu vejo no meu rapaz que não tem calos nas mãos
Só quer namoro com mocinhas da cidade
Tem sempre uma novidade que viu na televisão
Não se interessa num monjolo conservado
Que faz parte do passado e ainda soca o pilão
Pode estar certo que eu sou meio matuto
Por isso me preocupo com a nova geração


Todo o trabalho, até o corte de lenha
O chiqueiro, a ordenha e a estufa de flor
Tem relatório, está tudo programado
Ficou informatizado, quem manda é o computador
Saio a passeio no lombo do meu cavalo
Com tristeza hoje falo, como um velho professor
Eu tenho medo do mundo globalizado
Quanto mais modernizado mais sinto falta de amor

Voltar ao topo


04 - SEMENTE DA TERRA

Martimiano Valério Borges

Chegou e disse
Minha gente sou caroço
Sou semente, sou da terra, do repente e do fubá
Trago na cara um queimado de campeiro
Urutu cruzeiro sou peroba e jatobá

Sou feito cobra, liso e cheio de veneno
Sou do sol e do sereno e burro bravo sei domar

Eu sou teimoso, sou matreiro e ardiloso
Eu sou valente, eu sou do povo
Eu sou do povo que não quer se entregar
Vou mastigando o que se tem pra mastigar
Eu vou levando essa vida de esperar


Mas quando chego perto de bela morena
Seu feitiço me condena e eu me ponho a cismar
Pego a sanfona com a mão mais delicada
Nessa hora dou risada e começo a tocar


Ataco o fole e a sanfona sai tocando
E a moçada vai dançando até o dia clarear
E o mundo inteiro fica cheio de folia
De forró e poesia que é pro povo se alegrar

Voltar ao topo


05 - O ESTRESSADO

Maurício Felipe / João Carlos


O meu cumpadi anda muito preocupado
Vive muito bitolado, eu não sei o que ele quer
A vida dele é pensar nos compromissos
É morar no seu serviço e brigar com a mulher
O homem é um trator pra trabalhar
Um maluco pra falar e um galo pra brigar
Sempre correndo atrás do seu dinheiro
Ele trabalha o ano inteiro e só faz pra se estressar


Cuidado cumpadi, um dia a casa cai.
A cumadi ta querendo é carinho
Se continuar esse teu jeito estressado
Você vai ficar pirado, vai acabar sozinho


Segunda e quarta tira o seu terno azul
E coloca a camiseta do Chicago Bulls
Já vai saindo pra sua aula de inglês
Pois não quer ficar pra trás
Ta chegando a sua vez
De vez em quando ele traz uma florzinha
Vai falando pra patroa: “you are very beautiful”
Mas a coitada que já está vacinada
Pede pra ele enfiar dentro do cesto de lixo


De manhãzinha já vai lendo o seu e mail
Esperando um elogio que lhe possa fazer bem
O chefe disse pra manter a esperança
Que na próxima mudança alguma coisa boa vem
Pois brevemente ele será pós-graduado
Ta pensando no mestrado será intelectual
Mas ele esquece que o tal do Ricardão
Não tem educação, é um tremendo animal

Voltar ao topo


06 - PAIXÃO NACIONAL

Roberto Moreno / Nino D’Andrade


A viola brasileira de origem estrangeira
Atravessou o oceano
Veio lá de Portugal, desde os tempos de Cabral
Nós fomos modificando
Nosso jeito de afinar, de um modo singular
O povo acabou gostando
Pertenceu a classe nobre, mas foi no meio dos pobres
Que a viola foi mudando

A viola hoje faz parte dos grandes centros das artes
Por este grande país
Sua pegada é segura, divulga nossa cultura
Deixa o povo mais feliz.
Foi nas mãos de um violeiro, um caboclo brasileiro
Assim o destino quis
A viola bem tocada tem a presença marcada
Na nossa moda raiz

A viola agora é nossa na cidade ou na roça
Virou paixão nacional
Nesse mundão sertanejo com orgulho sempre vejo
Sendo a atração principal
O pagode do Tião, dez cordas com emoção
O seu som bem natural
Também vejo a mocidade tocar nela com vontade
Nosso hino nacional

A viola brasileira já ultrapassou fronteiras
Já ganhou até troféu
Nas mãos de grandes artistas que hoje são concertistas
E cumpriram seu papel
Violeiros que aqui passaram as suas marcas deixaram
Nos vê através de um véu
Olho pra cima e vejo o brilho de um sertanejo
Em uma estrela no céu

Voltar ao topo


07 - QUINTAL

Adriano Rosa / Maurício Felipe /João Carlos

No fundo do quintal clareiras
Mangueiras e jatobás
O Riozinho correndo
e os peixes livres a nadar
Na horta as folhas, a vagem e a vida
A vida vivida e as colchas no varal
O canto, o frio e o velho desafio
Tocar viola melhor ou igual


Viola caipira, cantigas, catiras
E o vestido rodado da menina
O cheiro do feijão na cozinha
Couve, ovo frito e costelinha
Arroz com pequi, suco de abacaxi
Queijo e goiabada cascão
O tempero da avó era natural
Só com alho e sal, cebola no pilão


O tempero da avó era natural
Só com alho e sal
Cebola no pilão
O tempero da avó
Era natural
Só com alho e sal
Amor e paixão


Na frente o caminho, poeira
e um rastro que já se apagou
E sob a figueira, o cocão
E os fueiros é tudo o que restou
Se foram o carro, os bois e a esperança
A lida sofrida e a passarada no ninhal
O espanto, o frio, aquele arrepio
Tocar viola melhor ou igual


A casa é aquela dos tempos da avó
As cortinas, a rede, retratos na parede
A varanda enfeitada, a taipa do fogão
As prosas e causos de assombração

Voltar ao topo


 

08 - DESUNIÃO

Roberto Moreno


Eu gostaria de saber do meu destino
Por que esse desatino
Não separa mais de mim
Se foram erros que
Deixei lá no passado
E não foram perdoados
E me faz sofrer assim
Eu gostaria de saber da amargura
Que provoca essas loucuras
Sem querer me abandonar
Te magoei e me confesso arrependido
Meu amor já foi bandido
E só você pode mudar


Já fiz de tudo pra de novo merecer
O teu carinho e você me perdoar
Eu não entendo, somos dois apaixonados
Nós vivemos separados dividindo o mesmo ar
O seu orgulho é maior do que você
Mas o desejo ele não pode dominar
E nesse impasse de orgulho e desejo
O sabor de um longo beijo
É que me faz recomeçar

Voltar ao topo



09 - MEU RANCHINHO

Adelgicio Monteiro / Valdir do Valle


Sobre as margens de um rio construí o meu ranchinho
Rodeado de belezas onde cuido com carinho
Esta sabia natureza eu preservo direitinho
Lá em volta nasce e cresce tudo quanto é espécie
De planta e passarinho


Onde construí meu rancho é conforme eu queria
Passarinhos vêm aos bandos entoando a cantoria
Se não tiver piracema faço minha pescaria
Com a paz no coração, ali naquele sertão
É lugar de alegria


Pus a rede na varanda, onde fico sossegado
Contemplando a natureza no meu mundo encantado
Quem vai lá no meu ranchinho fica mesmo admirado
Eu estou sempre sorrindo aquele lugar tão lindo
É por Deus abençoado


Lá plantei o ipê roxo, ipê branco e amarelo
Montei na beira do rio um cenário muito belo
Das plantas e animais naquele lugar eu zelo
E nem por um minutinho eu não troco o meu ranchinho
Pelo mais lindo castelo

Voltar ao topo


10 - O PODER DA MENSAGEM

Roberto Moreno / Nino D’Andrade

Reconheço e sou agradecido
Eu fui escolhido pra ser cantador
Reconheço ser as mãos de Deus
Me fez um dos seus poeta e trovador
A mensagem da minha viola
Me consola enquanto ela vibra
Sou feliz por ser um sertanejo
Fecho os olhos e assim eu me vejo
E a missão vou levando com fibra


Eu nasci pra cantar, nasci pra tocar,
Ser um bom violeiro
Eu nasci pra levar a minha alegria
Ao povo brasileiro

Reconheço e cumpro meu papel,
Sei que lá no céu alguém me ilumina
Reconheço nos versos que canto
Derramo o encanto da obra divina
A certeza da minha poesia
Irradia e faz delirar
O poder desta linda mensagem
É um aviso que estou de passagem
Se eu partir vem outro no lugar

Voltar ao topo


11 - GOLPE DE VISTA

Dos para choques de caminhão
Adriano Rosa / Maurício / João Carlos


Antes de falar de mim, olhe para o seu passado
Eu não sou cobra coral, mas ando envenenado
Ontem sonhei com o futuro, hoje nem pego no sono
Não sou o dono do mundo, mas sou o filho do dono


Eu ando fora da lei, mas sempre dentro do horário
De frete em frete eu vou cumprindo o itinerário
Sou um poeta do asfalto cada curva é um diário
De pedágio em pedágio vou deixando o meu salário
Neste mundo eu conheço só três tipos de muié
As que gelam e perde o gosto, igualzinho o café
As criadas da costela e as criada do filé
Se existir muié mio, só Deus sabe onde é que é


Cana na roça dá pinga, pinga na vila dá cana
Se chover mulher bonita, quero goteira na cama
No baralho desta vida só encontrei uma dama
O sapo tem olho gordo, por isso vive na lama
Quem casa com mulher feia sempre acorda assustado
Marido da minha vizinha não gosta de feriado
Mulher feia e cheque frio só a perigo ou protestado
Não mando a sogra pro inferno por ter pena do diabo


Pobre quando morre deixa o anjo desempregado
Se morrer é um descanso, prefiro viver cansado
Pobre só enche a barriga quando morre afogado
Tudo o que é bom na vida, ou faz mal, ou é pecado
Vou turbinado no pé, mas reduzido na mão
Perigo não é o cavalo, mas burro na direção
Sogra é igualzinha chuva, chega com raio e trovão
Feliz foi o tal do Adão, não teve sogra, nem caminhão


Pra quem não tem companhia, a saudade é companheira
Eu gosto muito das Rosas, mas prefiro as trepadeiras
A roubalheira ta feia, mas a vida ainda é bela
Por favor, na me acompanhe porque eu não sou novela

Voltar ao topo


 

12 - PRA FALAR DE AMOR

Maurício Felipe /João Carlos


Pra falar de amor
Vaguei nas pedras de um caminho solitário
E sedento de ar puro
Me encontrei em uma flor

E falei de amor
Senti seu cheiro, me apaixonei
Fui conhecendo o meu futuro
E desci do muro pra falar de amor


Amor que rompe barreiras
Amor que perfuma
Que se alegra ou se entristece
Que adoece e se cura num instante
Enquanto a vida acontece


Quero me entregar inteiro pra você
Estando ao teu lado a vida é mais prazer
Você é meu presente e vai ser meu futuro
É a minha luz, o meu porto seguro


Pra falar de dor
Ouvi gritos ecoando nova vida se mostrando
Tudo se iluminando
E compreendi o que é o amor


E falei de amor
Senti seu cheiro, me apaixonei
Fui conhecendo o meu futuro
E desci do muro pra falar de amor

Voltar ao topo


 

13 - ORAÇÃO À TERRA

Marly Renault Adib Bittencourt


Ó terra, sagrada mãe! Rogai por nós os pecadores
Perdoa ó mãe! Pelo descaso,
Pela ferida aberta que causamos

Ó terra, bendita seja! Berço desse chão e cordilheiras
Graças ó mãe! Tanta beleza
Graças pela chuva sem fronteiras

Ó mãe de todos nós! Perdoa o fogo que queima
Perdoa a seca que fere
Perdoa ó mãe, a vida que morre

Ó terra, sagrada mãe! Irmã do sol e das estrelas
Derrama ó mãe as suas bênçãos
Perdoa todo mal que lhe causamos

Ó terra, bendita seja! Onde nasce a flor e os corações
Graças ó mãe! Toda riqueza
Graças pelos mares e sertões

Ó mãe de todos nós! Perdoa a planta que morre
Perdoa a água que seca
Perdoa ó mãe vida que chora

Ó terra, bendita seja! Ventre dessas águas cristalinas
Graças ó mãe! Tanta bondade
Graças pela força tão divina

Ó mãe de todos nós! Perdoa a seiva que escorre
Perdoa o chão que se racha
Perdoa ó mãe, a vida que morre

Voltar ao topo


14 - DEIXA QUEIMAR

Mauricio Felipe / João Carlos

Bate a bota no tablado
Bate na palma da mão
Vamos dançar o catira
Defender as cores da nossa nação


Ponho um chapéu na cabeça
E uma botina no pé
Uma moda bem xonada
E uma churrascada
É bão e a gente quer olé, olá
Caboclinha bem laçada
É hoje que eu vou me enroscar
O braseirão acendendo
O fogueirão ardendo
Espeto aquecendo
Deixa queimar, olé olá

Uma picanha na brasa
Ou um porco no rolete
Depois de um engasga gato
Vem para o meu prato
É bão e dá sede, olé, olá
Manda cerveja gelada,
Tenho um bailão para dançar
O braseirão acendendo
O fogueirão ardendo
Espeto aquecendo
Deixa queimar, olé, olá

Trago as cores da nação
No coração e na cachola
Se dizem que sou festeiro
Eu sou brasileiro
Catira e Viola olé, olá
Vem pra cá prenda minha
Vem comigo dançar
O braseirão acendendo
O fogueirão ardendo
Espeto aquecendo
Deixa queimar, olé, olá

Voltar ao topo


 

15 - CARTA PRA DEUS

Ciborg /João Carlos / Maurício Felipe


Mandei uma carta pra Deus e nela fiz meus pedidos
Cuida do povo da terra dos humildes e oprimidos
Cuida também dos velhinhos que na luta estão vencidos
Trabalharam tanto na vida e até um prato de comida
Pra eles é esquecido.

Vejo nos meus governantes a cruel indiferença
Pra eles não vale a fé ter família ou ter crença
O seu povo está pedindo e eles não se importam
Vão saindo de mansinho deixando o povo sozinho
Batendo com a cara na porta.

Fiquei esperando a resposta lamentando a realidade
Ó meu Deus porque o povo vive na desigualdade
Irmão ta matando irmão simplesmente por maldade
É um conflito de terra mais parece um pé de guerra
Dividindo a sociedade.

Ó meu Deus tem piedade desse mundo desumano
Rico pisando no pobre só pra ser o tal fulano
No balançado da vida todo mundo é igual
Só Deus pode dar um jeito
Nesse mundo desigual.


E Deus mandou a resposta foi grande a minha surpresa
Você que vive dormindo não me entendeu com clareza
Por ti morri numa cruz, amar é minha certeza.
Comprometi com a vida, gestos de amor sem medida.
Dividindo o pão na mesa.

Voltar ao topo


 

16 - PAGODE DO AVESSO

Levi Ramiro / Adriano Rosa / João Carlos / Mauricio


O avesso do sossego é o peso da cangalha
O avesso da vitória é a morte em batalha
O avesso do batismo é o peso da mortalha
O avesso da derrota é o peso da medalha

O avesso do salário é ficar desempregado
O avesso da toada é o batuque recortado
O avesso do, pois é, é o carro importado
O avesso do futuro são as coisas do passado

O avesso da esperança é ficar desiludido
O avesso do honesto é não cumprir o prometido
O avesso da gravidez é o tal do comprimido
O avesso da confusão é o tal do trem partido

O avesso do banguela é uma bela dentadura
O avesso da carne seca é um pedaço de rapadura
O avesso da liberdade é a tal da ditadura
O avesso do casamento é o divórcio e a sepultura

O avesso da catinga é o perfume das meninas
O avesso da escuridão é a luz da lamparina
O avesso do bagaço é o suco da tangerina
O avesso do silêncio é o barulho da turbina

O avesso do remédio é uma cerveja gelada
O avesso do impossível é o fio da meada
O avesso desse pagode é uma moda apaixonada
O avesso do berrante é o silêncio da boiada

O boteco da esquina é o avesso da sacristia
O som de uma moto serra é o avesso da ecologia
A vida do povo pobre é o avesso da fantasia
Tudo isso que cantamos é o avesso da poesia

Voltar ao topo


 

17 - ESTRADA VELHA

Martimiano Valério Borges

A última boiada que ele viu nesse estradão
Hoje é lembrança dentro do meu coração
Ali passaram seus amigos de jornadas
Nas cavalgadas na poeira desse chão
Estrada velha hoje está abandonada
Cipó cobriu até a cruz lá no espigão


Estrada velha ele olha as vertentes
O vermelho sol poente
Lhe aperta o coração
Estrada velha ele olha as vertentes
O vermelho sol poente
Lhe aperta o coração


Estrada velha não se vê mais as porteiras
Estrada velha escondida no grotão
Ele escuta o tropel de uma boiada
No descanso das pousadas
Vê a luz de um lampião
O boiadeiro aprendeu com a boiada
Que essa vida é passagem é estrada


No toque do berrante ele entendeu
Que esse mundo já foi seu
Hoje é caminho de saudade
No toque do berrante ele entendeu
Que esse mundo já foi seu
Hoje é caminho de saudade

Voltar ao topo


18 - PESADA CRUZ

Maurício Felipe / João Carlos


Das passagens que leio na Bíblia
Uma meche comigo e me faz meditar
A história de três irmãos
Que viviam felizes no seio de um lar
Eram amigos de Deus,
Sempre abriam a porta pra ele entrar
Logo que ele chegava
Marta preparava um belo jantar


A menina Maria sentava
E ficava calada aos pés do Senhor
Querendo ouvir as histórias
Contadas pelo mensageiro do amor
Banhava-lhe os pés com perfume
E sua humildade a fez preferida
Um dia essa amizade
Fez o irmão Lázaro voltar à vida


Lázaro homem da família
Cuidava das suas irmãs com carinho
Mas o destino ingrato
Colocou a morte no seu caminho
Quatro dias ele ficou morto
O amigo chorou e lhe deu vida nova
Suas irmãs se alegraram
Viram que a fé a esperança renova


Hoje vejo tantos jovens
Caindo nas drogas praticando o mal
Entram na vida do crime
Estão mortos em vida, é fato, é real
Vejo irmãos e irmãs não mais
Se entendendo quebrando alianças
Vejo um povo sem rumo saindo
Do prumo perdendo a esperança


Tratados globalizados buscam
Vantagens em nome da paz
Homem, mulher, natureza, sangrando
Morrendo e ninguém nada faz
O que resta para a humanidade
É tornar-se Maria aos pés de Jesus
No exercício da humildade
Clamar liberdade da pesada cruz


Voltar ao topo


Telefone para contato

JOÃO CARLOS - (35) 3722-4587 / 9118-3124
MAURÍCIO - (35) 3715-2875 / 9961-2875
ADRIANA - (35) 9131 0968


João Carlos e Mauricio